Para vencer a depressão

O mundo moderno trouxe agilidade e tecnologia, mas também desafios que podem levar a saúde mental das pessoas ao limite. Hoje a depressão é tratada como uma epidemia global, cuja incidência disparou nas últimas décadas. Segundo a ONU, atualmente mais de 350 milhões de indivíduos sofrem com a doença no mundo todo.

Mas há tratamento, e a psicanálise/psicoterapia assume um papel pioneiro tanto no diagnóstico quanto na cura do comportamento depressivo.

Fatores da depressão

Muitos fatores podem levar à depressão clínica, como a perda de um familiar ou um trauma profissional. Entretanto, os motivos externos interessam menos à psicanálise do que o que acontece dentro da cabeça do paciente. Para entender o depressivo é preciso, antes de tudo, ouvi-lo com atenção e empatia.

Depressão X tristeza

Segundo a perspectiva psicanalítica, o quadro depressivo é diferente da tristeza de um luto, por exemplo, porque ele desconstrói a própria percepção da pessoa como um ser funcional – as atividades que antes davam prazer se tornam um fardo. Um indivíduo magoado pode tanto exorcizar o objeto de desejo (ou uma pessoa) como se tornar obcecado por ele. É o segundo caso o que caracteriza a depressão para a psicanálise.

Assim, o depressivo é, em alguma medida, um narcisista obcecado com as próprias qualidades, defeitos e com a percepção dos outros sobre si. Que alimenta não uma autoimagem de grandeza, mas de insignificância e desesperança em alcançar suas fantasias. Por isso, a palavra-chave na psicanálise é ouvir.

A importância de falar dos sentimentos

Quando o paciente fala, ele dá vazão a sentimentos que muitas vezes não consegue verbalizar nem na própria mente, e o terapeuta deve ficar atento aos mecanismos inconscientes de autodefesa que se revelam no discurso e nas emoções do indivíduo. Para a psicanálise, é por meio do autoconhecimento que se pode vencer a depressão e retomar o fascínio pelas coisas que se perderam ao longo do quadro depressivo.